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SRHS ADOTA MEDIDAS PARA COMBATER IMPACTOS DA ESCASSEZ HÍDRICA EM PERNAMBUCO

SRHS ADOTA MEDIDAS PARA COMBATER IMPACTOS DA ESCASSEZ HÍDRICA EM PERNAMBUCO

Article image Barragem de Jucazinho está em estado de alerta há 10 anos - Foto: SRHS

O Governo de Pernambuco decretou situação de emergência em 107 municípios do estado devido à estiagem prolongada. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 60.112, publicado no Diário Oficial do Estado em 31 de dezembro de 2025, com vigência a partir de 4 de janeiro deste ano e validade de 180 dias. O objetivo é minimizar rapidamente os impactos da seca hidrológica que atinge essas cidades, paralelamente aos projetos de saneamento executados pela Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento de Pernambuco (SRHS).

Presentes no Agreste e Sertão pernambucanos, os municípios em situação de emergência contam com 20 barragens em estado de alerta, ou seja, com menos de 10% de suas capacidades máximas. A medida tomada pelo governo foi baseada em pareceres técnicos elaborados por instituições que agem diretamente com a gestão hídrica, como a Agência Pernambucana de Águas e Climas (APAC) e a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), e instituições que gerem as efeitos da estiagem na sociedade, como a Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas Sobre Drogas (SAS) e a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco (ADAGRO), entre outros órgãos públicos.

Motivado, principalmente, pelas rápidas alterações climáticas que os territórios vêm passando, “o estado de Pernambuco tem sofrido ao longo dos últimos anos as consequências de uma seca hidrológica bastante persistente. E o retrato mais claro desse fenômeno é Jucazinho. Ele é o maior reservatório do Agreste e o terceiro maior do Estado, mas entrou em colapso no ano de 2016 e até o momento ainda não se recuperou”, relata o Secretário Executivo de Infraestrutura Hídrica da SRHS, Marcelo Asfora.

Diferente da seca meteorológica, caracterizada apenas pela falta de chuvas, a seca hidrológica ocorre quando há redução contínua dos níveis de rios e reservatórios, na medida que a meteorológica se arrasta pelo tempo. Esse déficit significa que “mesmo quando as chuvas retornam, elas não são suficientes para reverter a situação de escassez, seja pela sua pouca quantidade ou mesmo pela sua distribuição não favorável à localização dos corpos d’água”, aponta Marcelo.

Segundo o Secretário, o ano de 2025 não foi um ano ruim em níveis meteorológicos, porém, a diminuição subsequente de chuvas no estado resultou em uma escassez hidrológica difícil de ser revertida em apenas um ano. Um exemplo desse fenômeno é o reservatório de Jucazinho, localizado em Surubim, no Agreste Setentrional Pernambucano. Hoje, a barragem ocupa o 4° lugar entre os reservatórios com piores níveis de abastecimento, com 0,82% da sua capacidade total.

“O Agreste do estado é a região mais seca do Brasil, contudo estratégias para levar água de outras regiões do estado já estão sendo realizadas, como a condução das águas do Rio São Francisco, por meio da Adutora do Agreste e, também, das águas da barragem de Serro Azul, por meio da adutora de Serro Azul, que irão beneficiar cerca de 2 milhões de pernambucanos”, reforça o Secretário da SRHS, Almir Cirilo.

A Barragem de Serro Azul compõe o Sistema de Controle de Enchentes das Bacias dos Rios Una e Sirinhaém e executa a função principal de controle de cheias da Zona da Mata Sul. No entanto, seu volume acumulado também deverá ser encaminhado para o Agreste, aumentando a segurança hídrica da região. Para isso, será elaborado um arranjo em engenharia hídrica com a finalidade de conectar as duas tubulações.

“Com a interligação da adutora do Agreste com a adutora de Jucazinho, que deverá ocorrer ainda nos meses de janeiro até março deste ano, os municípios que eram abastecido pelo reservatório de Jucazinho, que está em colapso, passarão também a receber  água do São Francisco, dando uma maior garantia hídrica e tirando essas cidades da situação da escassez”, arremata Marcelo.

Paralelamente ao abastecimento urbano, as comunidades rurais e difusas também estão sendo contempladas. Por meio da implantação de sistemas simplificados de abastecimento de água, compostos pela perfuração e recuperação de poços, juntamente com a implantação de sistemas de dessalinizadores, as populações poderão aproveitar as águas salobras que normalmente são encontradas no subsolo da região do semiárido.

“ Atualmente, o Governo do Estado vem implementando a execução de novos dessalinizadores, todos com placas solares nas regiões rurais do estado de Pernambuco. Além do mais, há dessalinizador instalado e dessalinizador em processo de construção. É uma ação que vem andando assim com boa velocidade. Além disso, nós temos uma outra ação que é de instalação de poços no solo.” completa o Secretário Executivo de Saneamento Rural, Artur Coutinho.

Desde 2023, o Governo do Estado vem reforçando a entrega desses sistemas simplificados de abastecimento. Com um investimento total de R$ 5.651.994,40, as ações de dessalinização já contam com 23 sistemas entregues e oito em andamento. Essas obras beneficiam diretamente mais de 2.285 famílias na zona rural.

Para janeiro de 2026, está previsto o início das obras de 35 novos dessalinizadores, somando um investimento total de R$ 6.356.369,86 e o benefício direto de 1.949 famílias. Também para este ano, planeja-se a contratação de mais de 59 dessalinizadores, com um investimento estimado de, aproximadamente, R$ 11,6 milhões, beneficiando centenas de famílias na zona rural que sofrem com a falta de acesso à água potável.

Além do mais, em 2025, Pernambuco, por meio da SRHS, obteve 100% de seus projetos aprovados no processo de seleção das propostas de obras na modalidade de abastecimento de água em áreas rurais, no eixo Água para Todos, do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do governo federal. No total, Pernambuco foi contemplado com R$ 105 milhões em investimentos, para  atender as obras de abastecimento hídrico nos territórios rurais.

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Reportagem: Izabela Cavalcanti - SRHS/PE